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Quem digita?
BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Cinema e vídeo, Música, Moda, Comunicação, Viagens, Política...
MSN - taiarocha@hotmail.com






você me conhece?



Pergunta?
O blog acabou. E aí?
não me conformo!!!!!!!!!!
você já o tinha abandonado!
tudo bem, há outros blogs bons
concordo: há fases na vida.
ok mas agora escreva 1 livro

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Les Antiques
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Julgamento
 Quanto vale meu blog?


É tudo MEU!
 eu
 minhas fotos
 Meu ex
 Meus parentes
 Minha escola
 Minha cidade
 Meu voto
 Minha infância
 Minha bíblia
 Meu grito
 Meu caro Breno
 Minha cara Helena
 Meu programa
 Meu vício
 Meu diretor #1
 Meu diretor #2
 Meu chato preferido
 Meu apoio
 Minhas flores preferidas
 Minha revista
 Minha pseudo-cultura
 Meu jornal
 Minha banda
 Minha cantora
 Meu poeta
 Minha atriz
 Meu lado jazz
 Meu lado rock
 Meu lado pop
 minha comunidade "Confissões de Adolescente"
 minha comunidade do Quem Digita
 Minha irmã linda


Quem digita seus males espanta


Se não acabasse, não seria belo.

Dois anos. Umas dez, onze mil visitas. 73 leitores na comunidade. Centenas de textos. Ou posts. Mais centenas ainda de comentários. Foi muito bom. Foi um tesão. Foi mágico. Foi reconfortante, foi aliviante, foi encabulante, foi divertido, foi falta do que fazer, deu muito o que fazer, foi escape, foi problema, já fui xingada, já se apaixonaram, já me viram com olhos diferentes depois de passar aqui, "pensei que você fosse só uma gostosinha, até ler seu blog", já me acharam patética por ter um blog (isso acontece muito), já foi de tantas cores!, já me rendeu elogios mil e críticas mais silenciosas, foi bom, foi tão bom que talvez eu me arrependa. Talvez falte alguma coisa, algumas coisas, uns comentários, uns leitores queridos, um botão de salvar e publicar, mas estou fechando a conta, pendurando as chuteiras, me aposentando de blogar. Leon escreveu outro dia aí embaixo que as pessoas felizes não têm muita inspiração, e realmente estou feliz, mas não atribuo só a isso, a essa plenitude linda e quentinha que minha vida ganhou de presente depois que começamos a namorar, dia 4 de maio, lá no alto de um bairro de Niterói do qual não me lembro o nome, num barzinho olhando o Rio de longe, medrosos em começar assim, oficialmente e felizes pelo que viria. Não foi só por isso. A vida tem fases, e essa minha fase blog se encerra aqui. Triste né? Nada. Tive fase Gazeta de Niterói, fase diários (essa foi longa, de 1993 a 2000), fase de gravar fitinhas de rádio, fase de ir lá na frente da sala dar recado de tudo, tanta fase que já passou.... todas me construiram um pouquinho. Agora, terminada essa, entro meio sem-jeito na sala da próxima fase, que ainda nem sei qual é. O tempo vai me contar. Quero agradecer a todos que me visitaram (ainda não acredito que 73 pessoas leiam isso aqui regularmente!!!), um obrigada em negrito para André, Joana, CC, Maíra, Pedro, Camila, que são vip.

Esse espaço vai ficar aqui até que o UOL resolva deletá-lo de sua memória: voltem sempre que quiserem reler um texto antigo, ver alguma foto.

Amo muito vocês, amo muito escrever, não vou e nem poderia parar por aqui.

É só o fim, depois de 24 gostosos meses, de mais um projeto feliz. De  novo, muito, muito mesmo, muito obrigada pelo carinho e a atenção. Continuo com meu flog e meu perfil no orkut.

A gente se vê por aí.

Táia Rocha Mattos, Volta Redonda, 22 de julho de 2005.

                                      



 digitou Táia às 22:18 [] [se gostou, envie]



república de 1

No começo era só ela, muito só. O apê era pequeno nos Classificados, mais ali, mão na parede, pé no sinteco, lhe pareceu enorme, amplo, vazio. Vazio das vozes das irmãzinhas pequenas e dos primos escandalosos que vinham no fim-de-semana. Vazio do pai italiano falando alto, da mãe e sua risada aguda e gordinha. Eram dois quartos de pura Lara, uma cozinha branca de Lara, uma varanda fria de Lara, a sala e o banheiro verde de Lara. Havia um Meu Primeiro Gradiente, um som improvisado para as fitinhas que gravara e ganhara de amigos. O chão tinha jornais, muitos deles. Amarelos, ressequidos, 1998, Ronaldinho, 2001, Onze de setembro. Juiz Lalau e Só Pra Contrariar. Garfield, Ziraldo, Henfil. Por que será que sempre quando vamos jogar jornais velhos fora, achamos motivo para ajoelhar na poeira e ler? Mas depois de ler cada quadrinho, como quem termina de estourar um enorme plástico bolha até o último plect, Lara pacientemente os empilhou, folha por folha, num canto da sala. Riu do paradoxo: sob os jornais, mais poeira que sobre eles. Num quartinho de empregada abandonado (todos os quartos o eram, mas aquele era especialmente triste e abandonado) dormiam esquecidas duas vassouras: uma de pêlos e a outra, piaçava. Varreu toda a casa, que não lhe brilhou, mas quase isso, pareceu-lhe uma casa com chão,  não um sinteco para aluguel. O pai viera antes, trazendo a cama, duas cadeiras e comida para o frigobar. Não que Lara gostasse de ver tevê. Ela sinceramente não se importava. Mas naquele sábado tudo o que ela mais amaria seria uma tv, caso tivesse uma. Estava em Goiânia, mas sentia-se em São Paulo. Não estava numa bela cidade turística, mas numa desconhecida e fria.

Não lhe faltavam geladeira, forno, pufe, dvd. O que realmente fazia falta eram as famosas pequenas coisas. Espelho. Meu deus, como sentia falta de espelhos. Chamava o elevador, abria a porta, olhava-se; às vezes se não havia ninguém penteava os cabelos, às vezes se não havia uma viva alma no prédio inteiro, fazia caretas e poses bobas. Depois se cansava e largava a porta. Chamou tanto o espelho apertando aquele botão.

Depois foram as plantas. Em toda a sua vida, e isso somava 18 anos, nunca a menina havia sequer olhado com mais carinho para um vaso de planta. Pois passou a querer muitos deles. Flores, samambaias, cactos, comigo-ninguém-pode. Quando o dinheiro sobrava, ao final da semana, comprava vasos de planta. É certo que algumas morriam de sede, mas enquanto viviam faziam Lara feliz.

Sentou na cadeira de praia, sofá de início de vida, esticou-se o quanto podia e catou na mala três ou quatro fitas cassetes. Qualquer menina de cidade falaria em Ipods, MP3, cds baixados da Internet. Lara ouvia satisfeita seu Primeiro Gradiente. Eram Renata, Lô, Fabi, Cíntia e Cla rindo e contando piadinhas da infância no São Miguel. Depois o pai e a mãe dizendo o que era bom e ruim para a filha, numa espécie de musical que fez Lara enrubescer e desligar o som. Mas depois seguiu ouvindo. Por que quando crescemos as verdades mais verdadeiras dos pais soam bobas?

Já no primeiro dia chorou. Apoiou-se sobre o peitoril da varanda, mirou longe as planícies, achou sua rua muito sem graça, reta e seca, quis correr de volta para o sul de Minas. Afinal, que tipo de idiota saía do Sul de Minas para estudar em Goiânia? Todas as meninas estavam em BH, Ouro Preto, Viçosa, Rio e São Paulo. Lara caiu de pára-quedas em Goiânia. Mas sabia que, no fundo, temia era gostar desse absurdo todo.

 



 digitou Táia às 01:40 [] [se gostou, envie]



"amour, amour, amour..."

Essa música toca numa excelente cena do Lolita de David Lyne, 1997. Lô está brincando na cama do hotel assim: ela bota uma moeda no toca-discos, uma bela voz canta essas palavras, e a cama começa a chacoalhar, efeito do "massageador" da cama, que, como outros apetrechos inúteis dos anos 50, não devia massagear nada. Mas Lô cantando com a voz trêmula (tremendo junto com a cama) é inesquecível.

Este é um post sobre o meu amor, que está tão feliz. Meu sentimento amor, que achou um ninho, moreno, alto, bonito e sensual, além de inteligente, divertido e absurdamente transparente. Leon, te amo muito, voltar hoje ao Pizza Grill me fez pensar que a vida é mesmo "louca", como você gosta de citar de vez em quando: eu nunca imaginaria àquela noite que alguns meses depois estaria namorandinha com você algumas mesas mais atrás.

Leitores, talvez tenha sido mesmo o amor e a plenitude de tudo dos últimos 2 meses que tenham me afastado daqui. CC comentou outro dia que a vida dela está tão boa que ela não conseguiria começar outro blog. Não me afasto definitivamente mas peço que entendam que não tenho tido tempo pra nada, e isso é bom ;)

Amo vocês, de vez em quando voltarei aqui, não desistam de me visitar!!!

beijos. feliz dia dos namorados, dessa vez pra mim também!



 digitou Táia às 01:38 [] [se gostou, envie]



PÁRA TUDO!

A DARROW VEM AÍÍÍÍÍÍÍ

QUEM CONHECE VAI ENTENDER PORQUE DEI MIL PULINHOS DE ALEGRIA AO LER O E-MAIL! depois de 4 anos, uma das melhores amigas que já tive está de volta ao Brasil!!!

DARROwwww!! ESTAMOS TE ESPERANDOOOO  



 digitou Táia às 21:42 [] [se gostou, envie]



a verdadeira história da princesa

era uma vez um belíssimo princípe encantado. era belo, sedutor, gentil, único. era inatingível, era tangenciável, era pouco e ligeiro, era às vezes, era incerto, era um sonho, enfim. um sonho glamouroso, mas que pela manhã, puf, tornava-se saudade. a princesa pela primeira vez sorria, alguém fizera a princesa sorrir com satisfação. tudo parecia lindo, mas apenas dentro da redoma de vidro da princesa, que por fora, nem real nem perfeita.

passaram-se tempos. a princesa foi conhecer outros reinos. e conheceu um novo príncipe. menos ideal, mais real, mais presente, mais verdadeiro, mais possível, mais, enfim. primeiro a princesa temeu, rejeitou, recuou, ignorou. depois não houve como, tornou-se real demais. a princesa pensou, pensou. como pensou. decidiu que príncipe que é príncipe, não apenas quer estar com a princesa. príncipe que se respeite é o que vai estar ali, depois das 9h da manhã, mais real, também bonito, mas cheio de defeitos, como a princesa, e muito humano, mudando um pouquinho o rumo das coisas.

nunca pensei que fosse gostar de alguém que não gosta de manga, cachorros, forró e tato. mas olha o que ele fez com meu conto de fadas ;)



 digitou Táia às 03:40 [] [se gostou, envie]



o Rio de Janeiro é grosso

Não que eu seja sempre um docinho, uma santa. Quando preciso desentalar uma resposta da garganta, o fel vem à tona. Sim, estou falando exatamente do que você está pensando. Veneno. Aquela coisa de "quando eu sou boa eu sou boa, quando eu sou má eu sou óóótima", da Mae West. Ultimamente eu não vinha praticando esse estilo de vida, mas às vezes é preciso.

Mas não quero falar mal de mim, no caso que vou contar o grosso foi outro. Entrei no banco para pagar uma conta. A fila estava muito cheia. Esperei uns minutos e me voltei para a senhora da frente dizendo "vou dar uma olhadinha no Banco do Brasil, você guarda o meu lugar?" "claro". Fui ao BB, a fila estava ainda maior e apenas um caixa trabalhava. Voltei ao primeiro, procurei a senhora, procurei de novo e nada. Ela saíra, por qualquer motivo. Nenhum problema. Apenas, se fosse comigo, eu diria à pessoa da frente "uma menina de blusa preto e branca pediu pra eu guardar o lugar dela mas tenho que sair, se ela chegar pode deixar ela entrar?"

Mas ok, sem grandes problemas. As pessoas não costumam pensar nas outras por aqui, é natural. Quando me aproximava da boca da fila, notei um homem ao lado desta, de braços cruzados, uns 50 e poucos anos. Quando chegou minha vez, ao mesmo tempo apareceu sua mulher, a quem ele disse "vai amor, vai", e eu atônita perguntei, de levinho, baixinho "por quê? por quÊ?" ao que o homem respodeu, com olhos arregalados ferindo os meus, tom grave e alto "PORQUE É A MINHA VEZ". Fiquei chapada com a resposta desproporcional, qualquer cidadão normal me avisaria antes "olha, estou esperando minha mulher, ela vai chegar e passar na frente, tudo bem?". Fiquei atônita. Paguei minha conta, e ao sair, passei por ele e disse, olhando nos olhos, da mesma maneira mas em um tom baixinho, uma resposta pontual e exclusivamente para ele: "grosso.". Seria perfeito. Se no meio do caminho de saída o cara do caixa não me chamasse "AQUI!" era o recibo. voltei uns 3 passos e peguei o papel. Foi a alegria do aborígene*, que riu muito alto e disse "AH! hahahha BABACA!!!" passei de novo e agora num tom mais alto "estúpido. carioca é muito estúpido." "E VOCÊ É MUITO BABACA!".

É claro que eu, que nunca bati boca na vida fora de casa, morri de ódio e revolta, saí às lágrimas do banco, tive que parar numa lanchonete para respirar. Nunca fui tão maltratada na vida. E não era um moleque ou uma menina barraqueira mas um cara que podia ser meu pai, ao lado de sua mulher, um coroa de 50 anos esculachando uma menina de 20. Nunca vi isso. Mas já ouvi histórias parecidas, passadas aqui no Rio também.

Os cariocas ainda acreditam que o Brasil inteiro morre de inveja dessa cidade, não perceberam que o charme foi quase todo esburacado por balas perdidas e medo, não notaram que a bossa envelheceu, guardam a arrogância e a impáfia do título de Capital. Segundo meu tio, muito bem dito, muitos cariocas acham que ainda são a Corte. Não são todos, nem é necessário dizer. Mas só o Rio cria essa gente absurdamente grossa. Em nenhum canto do Brasil há nada parecido. Nunca veria uma cena dessas em Volta Redonda, na Bahia, em Minas, no Sul, em São Paulo...

os cariocas perderam a noção, o respeito, o charme. Só não perderam mesmo foi essa mania de empinar o nariz. Ainda que não haja mais tanto do que se orgulhar.

Que estúpido. Que dia.



 digitou Táia às 16:11 [] [se gostou, envie]



de pressão baixa e outras carências

 

É tanta coisa que eu nem sei, é tanta coisa que nem cabe aqui

é uma salada de alegria, medo, tédio, frenesí, esperança, cansaço, é a tal crise dos 20

se alguém fala em minha terra o peito acelera

mas quando piso no Aterrado tudo espera, não a mim; espera algo maior, melhor, vive esperando

um show do Skank, uma eleição presidencial, um filme bom, uma final de Copa na Vila, qualquer sacode que encha as ruas dessa gente quieta. Falta mais, talvez  falte passado, quando eu ainda nutria admiração por ela

Estou feliz sim, sim im im, está melhor que a encomenda que fiz, e tive medo mas parece que fiz o pedido na doceria certa.

Daí sabe como é. Um pouco de alegria vai curando um muito de tristeza que até pouco tempo alfinetava a alma.

Tenho saudade de tudo. É a frase mais marcante do cinema, essa. E tantas vezes sinto como Dora ao escrever aquela carta a Josué. Quando não se sabe exatamente o que faz falta. É uma saudade do presente, uma nostalgia sem lugar. Não tem alvo, flutua. Não entristece, enternece.

Andei escrevendo poeminhas na barca. Falavam de você e de você também. Depois tive medo que caíssem em mãos erradas. Ninguém entende minhas confusões.

Preciso dar um jeito nesse cabelo vermelho, só as pontas, preciso muito ir à Bahia, aniversário de 102 do bisa, mas fica pra próxima, pras próximas! Preciso montar uma revista-projeto, apresentá-la ao professor, preciso dormir, é tarde. Preciso de sal e de amor.

 



 digitou Táia às 03:10 [] [se gostou, envie]



sem saber o que escrever nem fazer. anram.  já fui mais profunda.ou mais computadeira.

 digitou Táia às 18:43 [] [se gostou, envie]



PARABÉNS, NÁ PAULAAA!!! Minhas amigas são todas fodonas, só passam pra Federaaaal!!!  =**** A Ana Paula passou pro curso que sempre quis, Engenharia de Alimentos na Rural, e vai passar nada menos que SETE meses na esbórnia e/ou no ócio, enquanto as aulas não vêm!! Como vivi isso na pele, o que posso dizer é: prepare os DVDs e a pipoca, e curta, porque nunca mais na vida vai ter tempo parecido. Só na aposentadoria, claro. É claro que cê vem passar uns dias no Rio né, miga?! Olha, qualquer um que estudou ao menos um ano com você sabe o quanto você mereceu essa vitória! TE ADORO!!! =***

 digitou Táia às 03:09 [] [se gostou, envie]



diário

finalmente faz frio no Rio de Janeiro. Parece até outono de verdade.

estou em paz comigo e com o mundo.

há mais da metade de um ovo de chocolate sobre a geladeira.

sequei meu cabelo de um jeito diferente e ficou lindão.

amo meus amigos de perto e de longe.

velhinha, já posso dizer que tive cabelo curto e vermelho. só me falta o platinum blond. mas este vai esperar mais um pouco.

a faculdade vai bem. vai bem melhor que antes, muito, muito obrigada.

estou escrevendo uma coluna sobre cinema! nem sei se vai vingar, mas se vingar conto aqui só para vocês.

a comunidade deste blog tem várias caras desconhecidas. por que não se apresentam, pessoas?

não posso dizer que g-o-s-t-e-i do show de Lenny Kravitz em Copa, por vários motivos. atraso, muvuca, som ruim, muito solo de guitarra e poucos hits. mas valeu pelo "so many tears I've cri-ied, so much pain insiiide..." que bela voz.

feriado nublado. e daí? amanhã vou à feira procurar uma blusinha do Voltaço. que? não. claro que ainda sou Flamengo. uma vez e sempre.



 digitou Táia às 17:38 [] [se gostou, envie]



                                                 

não sou mais um bebê iludido. (ponto pra mim)

mas ainda adoro muito você. (ponto pra você)

não foi fácil decidir. (ponto pra quem?)

nada comigo é fácil. (sem pontos)

mas você sabe me dobrar. (ponto pra nós)

no fundo, cada um sabe o que é bom para si. carpe diem. e ponto.

 

ps: o cantinho da minha boca é mais bonito que o dela.



 digitou Táia às 18:26 [] [se gostou, envie]



depois de ontem/hoje, eu desisto de fingir que sei o que quero.

 



 digitou Táia às 11:02 [] [se gostou, envie]



PÁRA TUDO

Meu nome está na Caros Amigos!!!!

Explicando melhor: A ida dos alunos da UFF ao Fórum Social Mundial em Porto Alegre foi fatídica. O que deveria levar por volta de 24h, se arrastou por cerca de 40h, além de envolver situações de risco absoluto para todos os passageiros. Eu, como vocês sabem, não estava lá, mas soube dos relatos de cenas absurdas como a de um bagageiro de ônibus se abrindo e malas rolando pela estrada e sendo esmagadas por outros carros. Chuva entrando pelos vidros das janelas fechadas. Lâmpadas que despencavam do teto dos carros. Ultrapassagens perigosíssimas que fizeram todos gritarem dentro do veículo. E por aí vai. Em um certo ponto da viagem, como a tal ponte que ligava Sudeste e Sul despencou, os motoristas fizeram um desvio. Muito maior do que o necessário, e ainda, quando pararam, exigiram "a outra parte do pagamento" ou algo parecido. Os meninos precisaram ligar para Chico Alencar do PT e rebolar para que a viagem continuasse. Foram, pode se dizer -e o título da matéria diz- mantidos reféns por esses motoristas nada confiáveis, nem mesmo no que deveriam dominar, a direção dos carros.

A questão é que esses ônibus seriam de uma empresa contratada pela UFF. Mas que contrato irresponsável (até criminoso!) é esse?! Pondo em risco a vida de dezenas de alunos que estavam a caminho de "Um mundo melhor"? O Breno e o Marcelo, ambos estudantes de Jornalismo no IACS foram descobrir. Como eles são muito eficientes nisso de jornalismo investigativo, descobriram uma rede de ligações suspeitas... e culpadas! Bem, a rede é tão emaranhada que eu não conseguiria reproduzir metade dos fatos e nomes aqui. Mas ela termina num bairro periférico de Volta Redonda, Siderlândia, mais especificamente numa garagem pequena e quase abandonada onde seria a sede da tal empresa fantasma. O que eu fiz nisso tudo? Algumas ligações, uma pesquisa na Internet, só. O mérito é 99,9% dos meninos, que mandaram muito bem. Mas pra mim, bem, essa "ponta no filme" pode ser o começo de tudo. 

 

Vá lá! Na revista impressa, saiu uma nota considerável na seção "República". Nessa seção são publicados artigos e textos de universitários. Na online, http://www.carosamigos.com.br , também na seção República, há uma nota e um link para a matéria na íntegra. Lá, na íntegra, está o nome das voltaredondenses que colaboraram. Gilkinha e eu.

 



 digitou Táia às 02:19 [] [se gostou, envie]



Ai meu deus, vou chorar. Não!!! Não posso sair vermelha em plena Vila Sta Cecília, em pleno sábado, eu nada plena...

Pelo menos parte dessa frase se passou umas onze vezes pela minha cabeça enquanto me derretia assistindo a “Finding Neverland”. Me derretia primeiro de calor. Não ligaram o ar condicionado em pleno verão, coisas do 9 de Abril. De que adianta ser o maior cinema em atividade do Brasil se é o mais quente também? Depois, e nem precisava falar, me derreti por cada expressão facial e pela voz e pelo novo cabelo curtinho de Jhony Depp. Sim, estou com saudade de cabelos curtinhos, desses que mostram a nuca, que é uma das coisas mais bonitas num homem. Não tem jeito, estou numa fase totalmente Jhony Depp. Aiai. Depois,  quando já quase não restava pedacinho firme de Táia (pense na manteiga numa frigideira), me derreti pela belíssima história que o filme conta. O autor de Peter Pan, que costumava escrever peças para a aristocracia, descobre 5 baús de tesouro um dia, sentado num banco de parque. Quando conhece bem o interior de cada baú, e os quão ricos são todos, encontra inspiração para narrar uma das mais belas fábulas infantis de todos os tempos. Ai meu deus, vou chorar, olha, meu olho já está quase transbordando. A peça é mágica, mas só sabendo-se a vida real por trás das cortinas é que ela ganha toda a graça que para mim Peter Pan não sonhava ter antes de ver esse filme. Só faltou mesmo uma cena de beijo. Tarantino diz que desde pequeno sempre achou que cinema existe para mostrar tiros e beijos. Pra mim, pelo menos os beijos.

Não deixe de ver “Finding Neverland” numa tarde boba, e saia pisando em um gramado fofo imaginário.



 digitou Táia às 22:00 [] [se gostou, envie]



Tão diferentes, tão bons

 

Você já viu e o mundo inteiro também. Acontece que quando passou no cinema, eu estava nascendo. Quando foi insistentemente reprisado na Sessão da Tarde, eu era criança e o título “Sociedade dos Poetas Mortos” não me atraía nem um pouco. Mas fui crescendo e ouvindo falarem tão, mas tão bem, que nem o fato do Robbin Williams protagoniza-lo me fez desistir. Fui adiando a sessão porque sempre há um filme mais sedutor na prateleira ao lado. E sempre há um pé (e meio) atrás com o Robbin Williams. Esta semana, abandonada (oh! que dramática!) em Volta Redonda por dois dias, passei na locadora e finalmente loquei o filme. Não vou descrever um filme que meio mundo já viu. A fórmula é aquela mesma de Mudança de Hábito, Escola de Rock e tantos outros em que um professor “revolucionário” muda totalmente o modo que os alunos têm de ver e valorar a vida. Mas o que eu temia nesse filme era a idolatria da figura do professor, o que não acontece. Os meninos amam a poesia, e por conseqüência, o cara que os fez amá-la. Passam a viver pensando em versos mas sem deixar de fazer coisas de menino, jogar bola, se apaixonar, viverem suas vidas. O que muda é que, conhecendo o lado menos burocrático e mais lírico do mundo, esses meninos de 17 anos passam a ter mais coragem para tudo. Tornam-se livres por pensarem. O que não é nenhuma novidade também. Mas o filme me surpreendeu, por melhor.

 

Quando “O Amante” começou a rodar no meu vídeo (sim! isso ainda existe!), algo familiar ficou ondulando entre a tv e eu, na poltrona. Em algum momento, não me lembro qual, o filme, um “Lolita” oriental, me deu certeza: “eu li isso em algum lugar!” Dei pause, corri à estante e estava lá! “O amante da China do Norte”, de Margueritte Duras, uma autora francesa que morou muito tempo na “Indochina”. Foi só ler as orelhas: havia virado peça de cinema. O livro era bom, o filme deve ser também. E é. Delicado, despudorado, triste, forte.... um filme marcante. A atmosfera úmida do Vietnã e fria dos personagens arrebata. Se Dolorinha Haze era feliz, saltitante e maluquete pelo coroa que a amava, a “criança” desse filme, só 3 anos mais velha (15), é indiferente e oportunista. Não está com o chinês, dezessete anos mais velho, por gosto ou paixão. Ou pelo menos é o que pensa e nos faz pensar. É um filme incômodo, não desce redondo. Todos os personagens têm defeitos demais. E um final heróico não virá salva-los. Isso faz de “O Amante” um filme muito verossímil. Além de bom. E... eu não curto orientais, mas esse chinês vale uma viagem a Pequim. Tssss....



 digitou Táia às 02:22 [] [se gostou, envie]



alguém vai pedir dinheiro no São Domingo dia se-teee!

PARABÉNS, ANA CAROL! MEDICINA NA UFF! 1º SEMESTRE! VOCÊ MERECE MUITO AMIGA! VAI SER UMA MÉDICA APLICADA E FAZER MUITAS LICENÇAS MÉDICAS PRA AMIGA AQUI!  MAS SÉRIO, VOCÊ SERÁ DESSAS PROFISSIONAIS QUE FAZEM A DIFERENÇA, E NÃO SÓ PARA AS MADAMES DA SALA DE ESPERA, MAS PARA O POVÃO TAMBÉM! ACREDITAMOS EM VOCÊ!!!   TE AMOOOOOOOOO!

VAMO COMEMORAAAAAA



 digitou Táia às 01:53 [] [se gostou, envie]



fala por si



 digitou Táia às 17:16 [] [se gostou, envie]



todo voltaredondense há de ser Voltaço!

                                    

Eu vi o Voltaço ganhar a Taça Guanabara! Eu estava lá com os, sei lá, sessenta mil voltaredondenses que naquele domingo evacuaram a cidade e abarrotaram o Maracanã! Foi o meu primeiro jogo do Voltaço -só tinha visto o Flamengo de pertinho- e preciso explicar: não é que eu seja torcedora do Voltaço, eu sou voltaredondense, o que dá no mesmo. Especialmente em se tratando de uma final! Quando imaginaríamos chegar a uma final de campeonato? E ainda jogando contra outro timeco, o Americano de Campos?! Por isso tudo foi muito surreal, a quantidade de pessoas conhecidas a cada 2 metros, a bandeira do Supermercado Avanço (?!?!?!), o amarelo-e-preto quase unânime, a quantidade de torcidas organizadas de que eu nem tinha conhecimento, as muitas pessoas do meu querido e falecido Colégio Novo, algumas que eu não via há quase dez anos! Decidi tudo na tarde anterior -Gilka, de VR e da minha sala na Uff, chamou e, oferecendo carona e ingresso, não pude negar. Foi ótimo, daqueles raros momentos em que se tem orgulho em ser daqui, especialmente se frente à arquibancada passa, esticada, no gramado, uma enorme faixa alardeando: AMO VOLTA REDONDA. Amo também. É raro, mas eu amo.

O jogo em si, foi bem fraquinho, como se previa. Anularam errado nosso gol, e pudemos gritar tudo o que estava preso na hora dos pênaltis. Foi lindo! Depois a multidão saiu sambando (bateria e tudo o mais que para mim era lenda em VR, estavam lá!) e uma mulher empolgadíssima pulou nos braços do ex(?) prefeito Neto, o tal que reformou o estádio Raulino, entre outras coisinhas e coisonas. Estava no Aterrado ou na Vila, em plena Zona Norte do Rio. Uma sensação esquisita e deliciosa que nunca mais esqueço, quem foi sabe.

Estou muito perua. Não tenho estado perua, digo estou porque escrevo com cuidado para não borrar o esmalte goiaba das mãos e lá em baixo os pés tomam o mesmo cuidado. Tenho uma festa hoje à noite, preciso dizer que poucas coisas são tão agradáveis como as festas que passo com minhas irmãs. Talvez Maíra não vá, mas Amana sim, e não saímos juntas desde... nossa.. faz tempo. Depois conto como foi, e ah, sim! Depois posto as fotos no meu novo flog! Esqueçam o do UOL, acessem, adicionem, visitem sempre e apartir de agora meu http://www.fotolog.net/taiarocha 

As férias vão se acabando e pensando agora pela primeira vez... foram as melhores da minha vida. Porque criticar favorecendo é tão mais difícil? Foram ótimas sim. Pelo Maracanã, pelo Ano Novo, pelas várias sessões de cinema, por Praia Grande (onde ainda pretendo passar uns dias), por Saquarema, por uma tarde em Ipanema sozinha... eu e Jack Kerouac. Estou pronta para voltar à UFF e ter, agora sim, uma grade de matérias decentes.



 digitou Táia às 16:49 [] [se gostou, envie]



Para ler ouvindo a trilha de "Eu, Tu, Eles"

Em 2003, realizei uma maratona de provas para todas as universidades públicas do Rio, além da PUC. No desespero de tentar tudo, pela UNIRIO me arrisquei numa prova para Direito e, graças a alguma coisa, talvez a uma concorrência mais calejada que a de Comunicação, não passei. Hoje acho muito bom que tenha sido assim, não me vejo decorando leis e mais leis, embora, como todo curso, Direito deva ter lá sua graça. Pois bem. Na prova de Português, que é sempre mais interpretativa que gramatical, "caiu" um texto de Guimarães Rosa que não me saiu da memória, embora tempos depois eu tivesse esquecido qual eram autor e obra de onde saíra. Hoje assistia a um documentário sobre a obra desse autor na Cultura (o que eu falei sobre “o reduto”?) e lá pelas tantas alguém declamou um trecho de "Famigerado". Mostrando-se a capa do livro, “Primeiras Estórias”, reconheci e no ato corri até a estante do escritorinho. E, como o conto é relativamente curto, os mais animados podem lê-lo aqui e agora.

                          



 digitou Táia às 14:08 [] [se gostou, envie]



Famigerado

(João Guimarães Rosa, Primeiras Estórias, 1962)

Foi de incerta feita -o evento. Quem pode esperar coisa tão sem pés nem cabeça? Eu estava em casa, o arraial sendo de todo tranqüilo. Parou-me à porta o tropel. Cheguei à janela.

Um grupo de cavaleiros. Isto é, vendo melhor: um cavaleiro rente, frente à minha porta, equiparado, exato; e, embolados, de banda, três homens a cavalo. Tudo, num relance, insolitíssimo. Tomei-me nos nervos. O cavaleiro êsse -o oh homem-oh- com cara de nenhum amigo. Sei que é influência de fisionomia. Saíra e viera, aquêle homem, para morrer em guerra. Saudou-me seco, curto pesadamente. Seu cavalo era alto, um alazão; bem arreado, ferrado, suado. E concebi grande dúvida.

Nenhum se apeava. Os outros, tristes três, mal me haviam olhado, nem olhassem para nada. Semelhavam a gente receosa, tropa desbaratada, sopitados, constrangidos –coagidos, sim. Isso por isso, que o cavaleiro solerte  tinha o ar de regê-los: a meio-gesto, desprezivo, intimara-os de pegarem o lugar onde agora se encostavam. Dado que a frente da minha casa reentrava, metros, da linha da rua, e dos dois lados avançava a cerca, formava-se ali um encantoável, espécie de resguardo. Valendo-se do que, o homem obrigara os outros ao ponto donde seriam menos vistos, enquanto barrava-lhes qualquer fuga; sem contar que , unidos assim, os cavalos se apertando, não dispunham de rápida mobilidade. Tudo enxergara, tomando ganho da topografia. Os três seriam seus prisioneiros, não seus sequases. Aquêle homem, para proceder da forma, só podia ser um brabo sertanejo, jagunço até a escuma do bofe. Senti que não me ficava útil dar cara amena, mostras de temeroso. Eu não tinha arma ao alcance. Tivesse, também, não adiantava. Com um pingo no i, êle me dissolvia. O medo é a extrema ignorância em momento muito agudo. O mêdo O. O mêdo me miava. Convidei-o a desmontar, a entrar.



 digitou Táia às 14:03 [] [se gostou, envie]



Disse de não, conquanto os costumes. Conservava-se de chapéu. Via-se que passara a descansar na sela –decerto relaxava o corpo para dar-se mais à ingente tarefa de pensar. Perguntei: respondeu-me que não estava doente, nem vindo à receita ou consulta. Sua voz se espaçava, querendo-se calma; a fala de gente de mais longe, talvez são-franciscano. Sei desse tipo de valentão que nada alardeia, sem farroma. Mas avessado, estranhão, perverso brusco, podendo desfechar com algo, de repente, por um és-não-és. Muito de macio, mentalmente, comecei a me organizar. Êle falou:

-“Eu vim perguntar a vosmecê uma opinião sua explicada...”

Carregara a celha. Causava outra inquietude, sua farrusca, a catadura de canibal. Desfranziu-se, porém, quase que sorriu. Daí, desceu do cavalo; maneiro, imprevisto. Se por se cumprir do maior valor de melhores modos; por esperteza? Reteve no pulso a ponta do cabresto, o alazão era para paz. O chapéu sempre na cabeça. Um alarve. Mais os ínvios olhos. E êle era para muito. Seria de ver-se: estava em armas –e das armas alimpadas, Dava para se sentir o pêso da de fogo, no cinturão, que usado baixo, para ela estar-se já ao nível justo, ademão, tanto que êle se persistiua de braço direito pendido, pronto meneável. Sendo a sela, de notar-se, uma jereba papuda urucuiana, pouco de se achar, na região, pelo menos de tão boa feitura. Tudo de gente brava. Aquêle propunha sangue, em suas tenções. Pequeno, mas duro, grossudo, todo em tronco de árvore. Sua máxima  violência podia ser para cada momento. Tivesse aceitado de entrar e um café, calmava-me. Assim, porém, banda de fora, sem a-graças de hóspede nem surdez de paredezz, tinha para um se inquietar, sem medida e sem certeza.

-“Vosmecê é que não me conhece. Damázio, dos Siqueiras... Estuo vindo da Serra...”

Sobressalto. Damázio, quem dêle não ouvira? O feroz de estórias de léguas, com dezenas de carregadas mortes, homem perigosíssimo. Constando também, se verdade, que de para uns anos êle se serenara –evitava o de evitar. Fie-se porém, quem, em tais tréguas de pantera? Ali, atenasal, de mim a palmo! Continuava:

-“Saiba vosmecê que, na Serra, por o ùltimamente, se compareceu um môço do Governo, rapaz meio estrondoso... Saiba que estou com ele à revelia... Cá eu não quero questão com o Governo, não estou em saúde nem idade... O rapaz, muitos acham que êle é de seu tanto esmiolado...”



 digitou Táia às 14:03 [] [se gostou, envie]



Com arranco, calou-se. Como arrependido de ter começado assim, de evidente. Contra que aí estava com o fígado em más margens; pensava, pensava. Cabismeditado. Do que, se resolveu. Levantou as feições. Se é que se riu: aquela crueldade de dentes. Encarar, não me encarava, só se fito à meia esguelha. Latejava-lhe um orgulho indeciso. Redigiu seu monologar.

O que frouxo falava: de outras, diversas pessoas e coisas, da Serra, do São Ao, travados assuntos, inseqüentes, como dificultação. A conversa era para teias de aranha. Eu tinha de entender-lhe as mínimas entonações, seguir seus propósitos e silêncios. Assim no fechar-se com o jôgo, sonso, no me iludir, êle enigmava. E, pá:

-“Vosmecê agora me faça a boa obra de querer me ensinar o que mesmo é: fasmisgerado... faz-me gerado... falmisgeraldo... familhas-gerado...?

Disse, de golpe, trazia entre dentes aquela frase. Soara com riso seco. Mas, o gesto, que se seguiu, imperava-se de toda a rudez primitiva, de sua presença dilatada. Detinha minha resposta, não queria que eu a dessa de imediato. E já aí outro susto vertiginoso surpreendia-me: alguém podia ter feito intriga, invencionice de atribuir-me a palavra de ofensa àquele homem; que muito, pois, que aqui êle se famanasse, vindo para exigir-me, rosto a rosto, o fatal, a vexatória satisfação?

-“Saiba vosmecê que saí ind’hoje da Serra, que vim, sem parar, essas seis léguas, expresso direto pra mor de lhe perguntar a pregunta, pelo claro...”

Se sério, se era. Transiu-se-me.

-“Lá e por estes meios de caminho, tem nenhum ninguém ciente, nem têm o legítimo –o livro que aprende as palavras... É gente pra informação torta, por se fingirem de menos ignorâncias... Só se o padre, no São Ao, capaz, mas com padres não me dou: eles logo engabelam... A bem. Agora, se me faz mercê, vosmecê me fale, no pau da peroba, no aperfeiçoado: o que é que é, o que já lhe perguntei?”

Se simples. Se digo. Transfoi-se-me. Êsses trizes:

-Famigerado?

-“Sim senhor...” –e, alto, repetiu, vezes, o termo, enfim nos vermelhões da raiva, sua voz fora de foco. E já me olhava, interpelador, intimativo –apertava-me. Tinha eu que descobrir a cara. –Famigerado?  Habitei preâmbulos. Bem que eu me carecia noutro ínterim, em indúcias. Como por socorro, espiei os três outros, em seus cavalos, intugidos até então, mumumudos. Mas, Damázio:



 digitou Táia às 14:02 [] [se gostou, envie]



-“Vosmecê declare. Estes aí são de nada não. São da Serra. Só vieram comigo por testemunho...”

Só tinha de desentalar-me. O homem queria estrito o caroço: o verivérbio.

-Famigerado é inóxio, é “célebre”, “notório”, “notável”...

-“Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entender. Mais me diga: é desaforado? É caçoável? É de arrenegar? Farsância? Nome de ofensa?”

-Vita nenhuma, nenhum doesto. São expressões neutras, de ourtos usos...

-“Pois... e o que é que é, em fala de pobre, linguagem de em dia-de-semana?”

-Famigerado? Bem. É: “importante”, que merece louvor, respeito...

-“Vosmecê agarante, para a paz das mães, mão na Escritura?”

Se certo! Er para empenhar a barba. Do que o diabo, então eu sincero disse:

-Olhe: eu, como o sr. Me vê, com vantagens, hum, o que eu queria uma hora destas era ser famigerado –bem famigerado, o mais que pudesse!...

-“Ah, bem!...” –soltou, exultante.

Saltando na sela, êle se levantou de molas. Subiu em si, desagravava-se, num desafogaréu. Sorriu-se, outro. Satisfez aquêles três: -Vocês podem ir, compadres. Vocês escutaram bem a boa descrição...” –e eles prestes se partiram. Só aí se chegou, beirando-me a janela, aceitava um copo d’água. Disse: -“Não há como que as grandezas machas duma pessoa instruída!” Seja que de novo, por um mero, se torvava? Disse: -“Sei lá, às vezes o melhor mesmo, para esse môço do Governo, era ir-se embora, sei não...” Mas mais sorriu, apagara-se-lhe a inquietação. Disse:-“A gente tem cada cisma de dúvida boba, dessas desconfianças... Só pra azedar a mandioca...” Agradeceu, quis me apertar a mão. Outra vez, aceitaria de entrar em minha casa. Oh, pois. Esporou, foi-se, o alazão, não pensava no que o trouxera, tese para alto rir, e mais, o famoso assunto.

 

O melhor desse conto pra mim é o seguinte: não se sabe se o sábio está salvando a própria pele ou se a dúvida do jagunço era em vão mesmo. Isso porque “famigerado” simplesmente tem dois significados opostos. Houaiss:

adjetivo
1    que tem muita fama; célebre, notável, famígero
2    Uso: pejorativo.
     tristemente afamado

 huhuhu e a dúvida persiste...



 digitou Táia às 14:02 [] [se gostou, envie]



o que é que a tevê aberta tem?

                                                       

Não sei se já dividi (ou seria multiplicar?) isso com vocês, mas se há uma coisa que me irrita é alguém dizer "odeio televisão. não existe um programa bom na tevê aberta!", o que, convenhamos, é cada vez mais lugar-comum em rodinhas pseudo-intelectuais e até nas intelectuais. Acontece que quem procura acha. E assim, mesmo os sem-Sky podem se divertir assistindo a Anos Incríveis e Friends dublados (fazendo uma força é possível achar as vozes muito parecidas com as originais! e fazendo uma força ainda maior, é possível achar isso uma vantagem); se deliciar com o ótimo texto dos meninos do Comentário Geral na TVE (se é que a Luísa escreve alguma coisa); de madrugada, (tenha boa vontade e troque o dia pela noite, é essencial!) há ótimos filmes espalhados pelos canais que ainda funcionam nesse horário. E alguns até legendados! Eu que nunca gostei de Chaves na infância, me pego rindo absurdos com a série trash mexicana, exibida no SBT diariamente. Felicity perambula pelas madrugadas do mesmo canal. Há as belíssimas mini-séries de quem pode investir (Globo) em televisão de arte de vez em quando, como a recente Hoje é dia de Maria e tantas outras que passaram. Para ser sincera, ainda não vi nada na tv fechada que chegue aos pés de uma produção como Hilda Furacão, por exemplo. À meia-noite, paulistas e cariocas recebem de mão beijada, através de canais públicos TVE e Cultura, as maiores pérolas em contos da literatura nacional, narradas por atores do naipe de Walmor Chagas, Betty Goulart, Maria Luísa Mendonça, Matheus Naschtergaele, entre outros. Contos da meia-noite foi uma novidade muito bem-vinda em 2004, o público gostou tanto que o que era para durar uns 20 programas se estende até hoje. Outro dia achei um Mr. Bean perdido pela BAND. Todo domingo as meninas de Confissões de Adolescente batem ponto às 14h na Cultura. Isso sem citar os jornais BONS, como o da Cultura, por exemplo. Ainda há o Metrópoles. Este canal ainda é um dos maiores redutos de qualidade na tv. Há pouco? Claro. Interessa aos grandes grupos da mídia a alienação. Interessa mesmo e isso eu sabia lá pela 5ª série, não precisei entrar na Uff para saber disso (aliás ainda não entendi para que realmente eu precisei entrar na Uff). Você sabe, todos minimamente informados e com senso crítico sabemos disso. Não defendo a alienação, apenas acho que nem tudo está perdido.

Mas o melhor da tevê brasileira, pasmem, discordem, se sintam traduzidos: ainda é a teledramaturgia. Laços de Família está de volta a partir do dia 28 de fevereiro e, ao invés de uma simples propaganda, este post é um sacode. Quero sacudir quem adora um barraco do Manoel Carlos, peruas, Helenas e os diálogos mais verossímeis do mundo, para quem adora ouvir bossa nova na trilha de uma novela que só mostra o lado bonito do Rio, para quem adora frases de efeito de personagens más, para quem ama acompanhar romances impossíveis como o da insuportável Íris pelo primo Pedro, para quem, enfim, adora um novelão e não admite: acordem. Vocês são brasileiros, novela é tradição da casa, algumas nações cultuam teatro, outras são notadamente famosas pelo cinema (como a Índia), outras ainda pelos musicais (EUA), outras pela ópera. O Brasil faz novela. E o Brasil já fez muita novela boa. Algumas com apelo político, outras cômicas, outras desvendando grandes crimes, não importa a linha, o que fazemos de melhor é novela. Não tenha vergonha de ser noveleiro, de sentar com a família para assistir a uma troca de bebês revelada, ao finalmente beijo de um casal afastado; não tema ter um gosto tão brasileiro, tão popularesco. E se você critica quem gosta e acompanha, pense nisso, nossa cultura é noveleira, é folhetinesca, é do bafafá, é do barraco na feira, da fofoca, o brasileiro é falastrão, é divertido, sofre muito, chora até demais. Esse é o seu país. Há novelas horríveis, fracas, de texto e roteiro bobos como essa que bate recordes de audiência agora, essa das 8 fraca, fraca, fraca. Mas aprendendo a selecionar, é possível achar peças fortes, ricas, de sangue quente, brasileiras e embrasileirantes. 3 vivas para o Maneco!



 digitou Táia às 01:54 [] [se gostou, envie]



Naquele verão Maitê contava dezesseis anos. Era bonita, uma beleza capial, limpa, honestinha. Cabelos castanhos um pouco queimados pelo sol apanhado na estrada de terra, onde a roceirinha caminhava todos os dias da casa para a escola, da escola para a venda e daí para a casa de novo, antes das seis. Era nem esperta nem boba, algo entre esses extremos, algo comum demais para ganhar um nome que o qualifique. Vivia bem, vida simples sem luxo mas, deus me livre, sem passar necessidades. Morava em Beira Rio, uma pequena vila e uma grande roça no interior de um estado do interior. A casa ficava mesmo na beira do rio. Tinha uma avó e dois irmãos, os pais haviam morrido em acidente numa ribanceira ali perto, quando Maitê ainda era de colo. Um dia, sentada na rede da varanda, depois de limpar a casa e fazer a lição (estava na quinta série. Sabe como é, as escolas do fim do mundo...), teve a primeira grande idéia de sua vida.

Maitê  quis sumir.

Repentinamente, só desejou sumir, ser levada sem que ninguém soubesse como, quando ou por quem. Os irmãos, um 5 anos mais velho e outro 1 ano e meio mais novo, desejariam terem sido eles os escolhidos. “Por que a Maitê, por quê?” reclamariam. Os amigos chorariam pensando apenas em todas as pequenas coisas bonitas e ingênuas que Maitê dizia com voz de algodão. Soariam como profecias.Referenciariam tudo com um “como dizia minha amiga Maitê, Deus proteja seu caminho...”, esquecendo assim de pensar nas baboseiras inúteis que falava no recreio -nem eram engraçadas, que aos engraçados todos cedem perdão.

Não pensava em morrer, morrer era banal. Morrer daria aos inimigos (ela tinha: a Filó da sala ao lado, que brigara por um moleque que Maitê nem sequer sabia quem era, e este próprio que, não tendo seu amor correspondido por Maitê, passou a azucrinar-lhe a vida desde os treze anos) a deixa para respirarem aliviados, e depois imaginar Maitê apodrecendo, morrer era meio nojento. Maitê queria sumir, como a irmã de um cantor famoso da capital sumira. E pensar que algumas semanas antes ela franzia as sobrancelhas de dó ao ouvir na tevê: fazia seis meses que a menina estava sumida. Agora Maitê invejava a sumida. Morrer era estúpido, Maitê queria algo sutil, fino, ainda que nem ousasse saber o que "sutil" significava, apenas queria. Absolutamente absurdo e incompreensível. E teimou em sumir. Foi sumindo aos poucos: sumiu pouco a pouco da escola, da plantação, da venda, da vila. Os amigos, (5 ou 6), se perguntavam se Maitê adoecera e os inimigos,(2), já falavam mal aqui e ali da falta de cuidado com os estudos.

 

Normalmente, os dois meninos trabalhavam o dia inteiro na roça e quando chegavam, a irmã já estava dormindo; e quando saíam, ainda não tinha acordado. Assim era sempre, de maneira que exceto pelos dias em que ficava doente, Maitê não participava de suas vidas. A avó, já trocando um tanto as idéias e os fatos, sentada a maior parte do dia em sua cadeira velha de couro corroído, não chegou a notar alguma mudança de rotina. Até que um dia, depois do jantar (e de uma semana sem ver a garota), Renan e Renato passaram em seu quarto. Não encontrando nada, (e isso já era tarde da noite) os irmãos perguntaram onde estava Maitê e a avó disse “na escola, estudando”. Não disse isso em tom que usasse sempre, mas num quase grito grave e rascante, que estremeceu  o joelho dos moleques. Depois continuou balançando a cadeira.

 

Maitê encontrava-se de mala e cuia na estrada que beirava Beira Rio. “Sou ajeitada, tenho vestido novo, logo logo passa um caminhão qualquer e me leva embora.” Não era burra e sabia dos caminhoneiros e da fama que tinham, especialmente os que vagavam por aquele fim de mundo. Mas, duas horas depois de esperar, mais ou menos enquanto os irmãos entravam em seu quarto do outro lado de Beira Rio, um enorme caminhão branco iluminou a pretidão. Ela fez um sinal qualquer com as mãos.

“Brigou com o pai, menina?” O motorista aparentava uns trinta anos. Não tinha cara de mau, não tinha barba mal feita, tatuagem com nome de mulher qualquer, não estava suado, era uma noite fria. Ela subiu nos degrauzinhos da boléia, e fez isso sem dificuldades. “Briguei não senhor, meu pai morreu”. “Vixi, caçar problema com alma penada eu quero não. Boa noite.” Acelerou e Maitê se desgarrou da boléia, caindo no chão. Mas a pirralha chorou tanto, de soluçar, que uns cinqüenta metros depois, o caminhão branco parou. Ela olhou, enxugando as lágrimas. Olhou ao redor: nada, ninguém, nada. Um ou outro sapo, um ou outro grilo, e a vila ao longe brilhando a lamparinas a diesel. Correu pisando com uma emoção tão grande que algumas de suas coisas caíram pelo caminho. Deu um pulo pra dentro daquela cabine, que, cheia de penduricalhos e adesivos cintilantes, até lhe pareceu um bom lugar para se morar.

“Vai pra onde, menina?”

“Pra longe daqui, pra nunca mais voltar. Eu quero sumir, moço, ajuda?”

“Sobe.”

 

Maitê sumiu. Ninguém nunca mais ouviu falar. O tempo passou e as buscas pararam. Os amigos da escola passaram de ano, conheceram outras meninas, se conformaram. Os inimigos, quando começaram o namoro, esqueceram Maitê. Os irmãos à noite, às vezes, ainda choravam. E a avó repetia um quase mantra, quase uma reza. Arrastava aquele balbuciar a manhã, a tarde e quando não tinha dor demais, varava a noite repetindo, um barulho enjoado que primeiro irritou depois virou natural, como o vento ou os pássaros. Parecia um ronco ou um choro. Mas quem ouvia bem, com atenção, entendia. A vó de Maitê repetia

“Ela tá na escola. Foi estudar. Quem vai buscar a menina? Quem vai buscar?”



 digitou Táia às 00:43 [] [se gostou, envie]



I wannna be where the sun loves the sky

Ok, ok impossível não falar do Carnaval

Carne levare

O meu foi em Saquarema, litoral fluminense, acompanhada das amigas Raquel e Natalia, ambas do IACS. Ficamos na casa de um amigo da Raquel, o Tom. Foram cinco dias, de domingo a quinta, de muito sol, muito axé (pouco samba), figuras carnavalescas, giriasinhas de verão, Miojo (mas também um estrogonofe idealizado e realizado por nós mesmos! que bello!), ping pong(ou quase), Street Fighter no fliperama (a primeira versão, a mais trash), picolé, fila pro banho (eram 21 na casa!), e no meio disso tudo até um convite para subir no trio. Claro, nós que somos do rock (especialmente Kel) não aceitamos. Mas o ego agradeceu. A viagem foi ótima. Rimos muito, há muito tempo eu não ria tanto. Peguei uma cor, guardei pra mim, vamos ver quanto tempo ela espera antes de fugir. Como já disse, não eu não fiquei com o bonitinho da folia. Eu não me cansei de bonitinhos mas estou quase me cansando de folia. Mas este post é carnaválico. Hoje eu iria para o Monobloco mas resolvi vir para VR. Ficar no Rio sem roupas limpas é torturante. E além disso amanhã eu tenho dentista. Convenci? Nem a mim. Eu quero ir ao Monoblocooooo!

!as fotos serão postadas aqui ou no meu flog novo

!que será feito em breve, se não me derem bolo... certo Pedro ? ;)

!Olha as duas gracinhas que entraram hoje para a minha coleção:

Radio Bemba, Manu Chao

Só lamento não ter comprado esse cd ao vivo antes e ter ido ao show ao vivo no Circo depois! É ótimo, superempolgante, mas é uma pena não ter as letras, eu sou péssima com Espanhol...

The Immaculate Collection, Madonna

Putz a melhor coletânea da loira,ever. Está tocando direto aqui. Um dia terei um conversível para viajar assim, meio Thelma e Louise rodando The Immaculate Collection no volume máximo. tsc tsc tsc o que a tevê não faz com as pessoas...



 digitou Táia às 16:16 [] [se gostou, envie]



os cinco melhores filmes das minhas férias

  

#1 Closer: Perto demais

 

Ah, esse filme é "desconcertante". Isabela Boscov, ainda minha crítica de cinema favorita, realçou o fato de Julia Roberts estar exposta como nunca quase sem maquiagem, como se se abrisse sem medos. Sua personagem, no entanto, é a mais truculenta do retângulo amoroso que Closer nos apresenta. O melhor de um filme é ser imprevisível. Mas nem todo filme surpreendente é bom, pelo contrário, muitas vezes a busca por um roteiro original é o que azeda uma produção, encharcando-a em pretensão. (O que ocorreu em Cidade dos Sonhos, não me canso de repetir). Mas este roteiro minimalista, que conta com gastos reduzidíssimos (alguns quartos ou salas lhe bastam como cenário e apenas uma música é tocada, duas vezes) consegue a grandeza que é amarrar nossas atenções e curiosidade até o final da exibição. Para isso, o diretor se utilizou de diálogos verossímeis, fortes e comuns a todos os que amam ou já amaram, ainda que não cheguem perto do risco de ser clichê. Filme bom como os circuitos pediam há tempos.

 

 

 #2  Machuca

Um filhinho de papai, ou "pituco", como se diz no Chile, vive uma amizade apaixonada com dois amigos pobres. Tudo se passa no período pré-Pinnochet. Enquanto sua mãe luta pelos interesses burgueses e usa o próprio filho para sustentar um casamento hipócrita; os novos amigos, moradores de um assentamento ilegal na periferia de Santiago vivem o furor da ideologia socialista, que defende Salvador Allende no poder. Os dois, a desinibida e marrenta Silvana, e o candidato a mártir Pedro Machuca, todos com 11 anos, entram na vida do riquinho Gonzalo através de um sistema de cotas que o padre inglês McEnroe implanta no colégio St. Patrick, o mais conceituado da capital. Mas tudo fica por um triz quando dois aviões norte-americanos invadem a cidade. Atualíssimo aqui e em qualquer canto do mundo, Machuca é um filme que vai te emocionar ao mostrar quão estúpido e corrompível você também é.

 

#3  Os incríveis

Eu esperava que Os Incríveis fossem bons, pelas boas críticas lidas em bons veículos, mas não que fossem incríveis. Bem, eles são. O único mal desse filme é ser curto. Você vai ver sua mãe, seu pai e seus irmãos bem desenhados em cenas banais do dia-a-dia na vidinha desses pacatos heróis.

 



 digitou Táia às 14:59 [] [se gostou, envie]



os cinco melhores filmes das minhas férias

  #4 Entreatos

“A minha gravata tava ótima. Mas o nó do Serra tava horrível, você viu?”

 

Se alguém ainda duvidava de que Lula é um líder simpático, otimista e engraçadíssimo, esse é o filme. Super imparcial, João Salles nos mete nas salinhas mais confidenciais durante toda a eleição de 2002, e cenas como o presidente quicando numa cadeira de barbeiro de bairro, confessando que sua grande frustação é não saber batucar e jurando que da fábrica no ABC não tem “um milímetro de saudades” nos aproximam do cara que tem tudo para melhorar o Brasil, ainda que até agora isso só tenha acontecido de fato no campo econômico. Não vou parar de acreditar. E você, se for ao cinema, não vai parar de rir.

 

#5 Meu tio matou um cara

 O mérito do filme é ser simples e diretinho. Consegue arrancar longas risadas (especialmente o brilhante Lázaro Ramos) mas não é um filme engraçadíssimo. Tem notas de romance, emoção e até uma ou outra análise social, como quando o eterno "Laranjinha" Darlan Cunha comenta que em sua escola todo mundo trata todo mundo mal. Mas se o chamarem de babaca, porque ele é negro a professora o denfenderá com mais vigor. “Então ninguém me chama de babaca. Só os meus amigos mesmo.” A trilha é impecável (repare na música da Soraya!).

 

 



 digitou Táia às 14:58 [] [se gostou, envie]



...porque eu estava me guardando pra quando o carnaval chegar...

 

                                   

Tem Mais Samba

Chico Buarque de Hollanda

Tem mais samba no encontro que na espera
Tem mais samba a maldade que a ferida
Tem mais samba no porto que na vela
Tem mais samba o perdao que a despedida
Tem mais samba nas mãos do que nos olhos
Tem mais samba no homem que tabalha
Tem mais samba no som que vem da rua
Tem mais samba no peito de quem chora
Tem mais samba no pranto de quem vê
Que o bom samba não tem lugar nem hora
O coração de fora
Samba sem querer

Vem que passa
Teu sofrer
Se todo mundo sambasse
Seria tão fácil viver

            um Carnaval cheio de samba, pagode, frevo e chorinho pra você. de axé, no máximo uma Daniela.

 

 

 



 digitou Táia às 13:36 [] [se gostou, envie]



Mas se pudesse voltar aos meus vinte anos, diria baixinho ao meu ouvido

Começou naquele jantar. Marta e Joana se levantaram, brincando com a situação de serem as únicas solteiras. Eu e Ricardo, quase desconfortáveis por estarmos juntos havia 6 anos. Não foi a primeira vez que nos deixavam sem-graças e, de leve, no fundo -no raso, mas sem verbalizar- sabíamos os dois que elas gostariam de ver acabar esse namoro forte para ganhar de volta os amigos solteiros.

“Vamos indo né, Jô, que amanhã a gente trabalha e esses dois aí precisam de privacité” “É,  quero ver quando vocês vão sair com a gente de verdade, dançar, hã... vocês só prometem... casal vinte...” “Tchau, meninas.”

Foi aí. Tchau, meninas. Um aceno com o braço, caricato, como quem diz “chega, já beberam de mais, já estão arrotando as besteiras de sempre, boa noite, vão logo.”. Mas elas deram as costas trôpegas e só quem viu o aceno fui eu. Ricardo balançava a cabeça negativamente arqueando as sobrancelhas, olhando para baixo, como quem diz “não agüento mais essas duas...”

Um fio gélido correu minha coluna de cima a baixo. Não era o detalhe em metal do vestido que eu usava, ou o encosto geladinho da cadeira do pub. Era medo. Eu estava velha. Vi a velhice de perto. Quando acenei, ficou tudo óbvio: a pele do meu braço não acompanhou o músculo e o músculo dançava feito gelatina sobre o osso. Eu tinha trinta e seis anos, e estava velha pela primeira vez. Empalideci. Tive medo, vergonha, não me reconheci.

Sempre fui a menina que joga vôlei na praia; na infância, bailarina exemplar. Mas agora estava velha. Como personagens velhas más de novelas das oito.

Ricardo não viu, mas me senti nua em praça pública. Éramos um casal cheio de vida, nunca saímos para dançar com Joana e Marta nem antes nem depois desse jantar, mas íamos à praia todo domingo, pedalávamos pela Lagoa, nadávamos às vezes, íamos a shows de rock! Àquela semana mesmo,  dias antes, estávamos na primeira fila do Barão Vermelho, gritando como moleques de segundo grau. “Eu às vezes me pergunto por que elas têm que fazer esse drama toda vez que bebem. Se perdessem esse tempo procurando homem já estariam casadas, com filho e neto. Mas preferem nos chamar de ‘casal vinte’ caretão... eu não troco a minha Letícia por nenhuma festinha, nem uma festona, nem uma vida de festas, a minha rainha! Letícia? Você está bem?” “To, claro.. elas passam do limite, acho que da próxima vez devemos vir sozinhos. Aliás, elas, o  Renato, os seus amigos, as minhas colegas da Fiat, estamos perdendo um tempo grande com eles todos...”

“Nossa Lê, também não é assim. São gente boa, papos bons... o que foi  Letícia, você estava bem mas de repente ficou séria” “Não sei Ricardo, me deixa em casa?”

Se em 1981 eu soubesse que ainda estava na flor da idade, não qualquer flor, uma bela bromélia, abriria um sorriso generoso e, chegando em casa, puxaria Ricardo até o quarto como de costume. Mas estava pasma. A imagem do meu tchau não saía das minhas retinas. Me despedi, tão fria e seca, que não pude chorar.

Eu tinha uma bela cintura fina, pernas torneadas, ainda que não belas, seios fartos ainda que eu não gostasse disso...  na infância lera Gabriela e quando acompanhei a série pela tv queria ser como Sônia Braga.. que acabou por colocar o tal silicone. Meu cabelo, loiro escuríssimo, mas ainda loiro, até a cintura, era invejável. De resto, eu era uma mulher mediana, 1.61m, um conjunto bonito, nada de mais, aquela noite me sentindo tudo de menos.

Se soubesse como era linda... não bonitinha, não uma mulher-nada-de-mais, entendam, eu era uma mulher maravilhosa, estonteante, porque aos 36 anos ainda se é uma mulher de receber assobios na rua, e “que coisinha linda”, eu ainda ouvia isso.  Depois, aos 39, vieram as rugas. A primeira ruga nasceu numa manhã de sol. Lavando o rosto com os produtos caríssimos que por precaução já usava, fui visitada por um cruel e objetivo raio de sol que cortou o basculante do banheiro e alcançou meus lábios. Ele sorria estampado em mim. Um vinco fundo aparecera ao lado esquerdo da boca. Como tentei acreditar que o travesseiro, àquela noite, havia me marcado ali.

Dessa vez eu chorei. Cecília entrou no banheiro perguntando “mãe? o que foi, mamãe?” “Mamãe machucou e está doendo, filha. Mas vai passar”.

Não passou.Vieram outras. Em todos os pontos possíveis do meu rosto. Testa, olhos, um novo vinco, do lado direito da boca. Aos 45 a pele do rosto se franzia entre os olhos, sob o nariz, desidratada.

A essa altura eu já colecionava alguns fios brancos de cabelo. Resolvi pintar. No salão. Ricardo percebeu o cheiro, mas não disse nada... a cor que ainda havia nos outros fios não vibrava mais.

Mas ainda era uma mulher ativa, e aos 48 passei a dar aulas de Ioga. Minha vida amorosa era perfeita, não tinha do que reclamar, e ainda não tenho. Sou casada com Ricardo, temos 3 filhos, sou uma mulher disposta, cheia de amigos, vou a festas, teatros, cinemas, praia, viajo muito. Mas hoje, aos 59, sou uma coroa,  uma quase avó, uma dona. Me chamam de “dona” nos balcões da vida. Não sou uma pessoa amargurada por isso. Via minhas tias, quando pequena, reclamarem da tristeza que é tornar-se velha. Eram velhas tristes. Hoje há reposição hormonal, ioga, tintas menos agressivas, lifting, os melhores tratamentos de pele. Há vida depois dos cinqüenta.

Mas se pudesse voltar aos meus vinte anos, quando passava tardes e tardes frente ao espelho achando defeitos em mim, diria num vento, baixinho ao meu ouvido: “ bobinha. Com esse corpo eu seria a mulher mais feliz do mundo.” Eu-menina olharia de trás do espelho, não entenderia nada, aumentaria o som e provavelmente continuaria procurando defeitos.

 

É pena que, com a compreensão, o tempo traga rugas. Talvez o meu charme fosse mesmo aquela insegurança burrinha. Não há coisa pior que uma menina metida a adulta. Mas se pudesse, ainda assim, sopraria aquela frase.



 digitou Táia às 00:29 [] [se gostou, envie]